Governo erguerá oito centros de terapia celular ao custo de R$ 8 milhões
Publicado em 02/05/2012, às 08h12 Jacques Waller
Detalhe da incubadora de células-tronco Foto: Divulgação
No fim do mês passado, o governo brasileiro decidiu investir R$ 15 milhões para tornar o País um produtor comercial de células-tronco. O material biológico tem potencial de curar todo tipo de doença e já começou a ser fabricado em escala industrial nos Estados Unidos e na Europa. Mas para ir da atividade de pesquisa ao setor produtivo é preciso bem mais que um decreto. É preciso tecnologia. Cerca de R$ 8 milhões dessa verba serão usados na conclusão de oito centros de terapia celular. Três deles - em Ribeirão Preto (SP), Salvador (BA) e Curitiba (PR) - já estão em funcionamento.
Segundo o pesquisador responsável pelo laboratório curitibano, Paulo Brofman, os recursos são necessários para transformar uma atividade que até bem pouco tempo era artesanal em um processo industrializado. "A terapia celular é altamente personalizada. Mas a escala de pacientes em um país como o Brasil é tão grande que é preciso atingir níveis de produção iguais aos de medicamentos comuns", diz Paulo Brofman. "Felizmente hoje já existem métodos automatizados para produzir células-tronco nessa quantidade", afirma.
As células-tronco podem ser obtidas a partir de diversas fontes: do sangue, da medula óssea e até do tecido gorduroso. Mas é no sangue localizado nos cordões umbilicais que se encontram amostras em maior quantidade e com maior grau de pureza. O procedimento clássico envolve a coleta da amostra e a contagem das células-tronco a partir de um equipamento chamado citômetro de fluxo. Ele usa raios laser e sensores computadorizados para contar as células. Depois vem a separação do material, que pode ser feita através de instrumentos semelhantes a pequenos rodos adesivos, que capturam as células a serem transferidas para a incubação.