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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

‘Sala de aula invertida faz alunos virarem autores’

aspas
Por Jorgelina Tallei via porvir
Sempre pesquisei formas diferentes de trabalhar com os alunos e novas tecnologias para a sala de aula. No início do primeiro semestre de 2014, decidi pôr em prática a sala de aula invertida na disciplina Espanhol como Língua Adicional, na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu (PR).

A instituição tem alunos paraguaios, argentinos, bolivianos, peruanos e uruguaios, que contribuem muito para que o brasileiro aprenda espanhol. Na convivência do dia a dia, o aluno pode aprender novos costumes e culturas dentro da sala de aula.

Diário de InovaçõesCrédito: CurvaBezier/Fotolia.com

A nova experiência contou com a participação de turmas dos cursos de História da América Latina e de Antropologia e Diversidade Cultural, que fazem aulas de espanhol de quatro horas durante duas vezes na semana (estudantes de outras nacionalidades têm a mesma carga horária para o português). Como tempo era muito longo, os estudantes tinham dificuldade para se manter motivados, e a sala de aula invertida faz com que eles tenham que pesquisar e buscar novas ferramentas para o aprendizado, até porque devem escrever o trabalho de conclusão do curso na língua estrangeira.

A sala de aula invertida era a estratégia certa para que eles atuassem como autores, e não apenas como consumidores de tecnologia


Trabalhamos a pedagogia por projetos e a perspectiva do aluno, uma vez que, nas aulas, eles usavam diferentes tecnologias, como computadores, celulares e tablets. A sala de aula invertida era a estratégia certa para que eles atuassem como autores, e não apenas como consumidores de tecnologia. Além disso, a prática possibilita uma reflexão do uso do idioma tanto fora quanto dentro da classe, além de um trabalho a partir de uma reflexão crítica e de autonomia dos alunos.

Até aquele momento, os vídeos não eram utilizados na prática de língua adicional e nem havia registro de experiências neste sentido nas aulas. Usamos o YouTube para trabalhar os conteúdos e hospedar os vídeos que, tão logo publicados, eram compartilhados na página do Facebook. Na hora da revisão, quando não lembravam de uma palavra, eles sempre recorriam aos vídeos, porque é mais fácil associar palavras com as imagens.

De certa forma, esse trabalho ajudou alunos a: a) praticar língua estrangeira; b) revisar conteúdos já estudados em sala de aula; c) treinar a escrita em língua estrangeira; d) ampliar letramento digital; e) trabalhar em colaboração.

Ao terminar o curso, os alunos responderam a um questionário de avaliação em que dizem que a aula foi legal, mas que os vídeos precisam ser aprimorados. Já temos um projeto para trabalhar com designers e editores, mas levará um tempo.


Os vídeos produzidos pelos alunos podem ser encontrados na página Intercâmbio UNILA do Facebook, no blog Integrando las lenguas e noYouTube.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Produtividade Científica não representa qualidade

Voltando-me para o mundo acadêmico (uma dimensão paralela), sempre dou uma pequena passeada em alguns sites: o blog do Prof. Marcelo Sabbatini e o Pós-graduando são dois exemplos. Navegando pelo último, bem humorado, de grande utilidade e seriedade para quem se aventura pela pós-graduação me deparei com esse artigo sobre um assunto que sempre me intrigou/incomodou e esses caras sintetizaram algo próximo da minha opinião acerca do assunto. 

Deem uma lida no artigo, vale a pena 

A principal vitrine dos pesquisadores são as publicações de artigos científicos em periódicos. Isto posto, por muitos é considerado que o indivíduo que produz mais publicações obtém maior visibilidade. Este critério é de tanta influência que é adotado, como tópico de avaliação, na maioria do processos seletivos, inclusive em concursos públicos. Essas considerações induziram aos profissionais uma busca por um alto número de publicações.
Mas atenção! Essa filosofia pode ser equivocada, injusta ou até perigosa. A corrida pela alta produtividade, de certa forma, agregou aos artigos uma série de inconvenientes: a má conduta, principalmente o plágio, e a baixa qualidade, tanto na escrita quanto no conteúdo científico. Editores e revisores chamam cada vez mais atenção a essa infeliz realidade, inclusive à consequente e crescente rejeição dos textos submetidos.

Quantidade x Qualidade. Afinal, o que mede a relevância das produções de um pesquisador?

A medida da qualidade de um artigo científico

Textualmente falando, elegância, cronologia, objetividade, clareza e ética são alguns dos elementos chave de uma boa redação. É necessário que exista uma boa sincronia nas informações fornecidas, desde o título à conclusão. Uma outra importante característica é pessoalidade na escrita. Atualmente, é muito comum os escritores seguirem o “estereótipo da moda”, que não é exatamente um erro, mas uma armadilha. Como a maioria dos periódicos tem um modelo de publicação, os escritores devem ter cuidado e sabedoria para construir um texto que atenda ao padrão da revista, mas principalmente forneça um conteúdo rico, real e único ao leitor.

A relevância de um artigo científico é medida geralmente pelo fator de impacto do periódicos, multidisciplinaridade, o aspecto inovador e o número de citações. Este último associado ao número de publicações, gera o índice H, que é um dos principais utilizados pela comunidade científica para avaliar as produções de um pesquisador.

O Brasil no Ranking Mundial

Durante a década de 90, o Brasil publicava anualmente uma média de 8.000 artigos científicos. De acordo com os dados da scimago [1], em 1996 estava posicionado em 21º no ranking mundial. Diante deste cenário, o governo criou programas associados a altos investimentos, com o objetivo de fornecer suporte para a realização de pesquisas nos diversos ramos da ciência, tecnologia e inovação, afim de incentivar as produções dos pesquisadores, assim como gerar uma séries benefícios socioeconômicos à população. Et Voilá, deu certo! O número de publicações anuais cresceu gradativamente. Em 2013, foram publicados pelos pesquisadores brasileiros 59.111 artigos, posicionando nosso país no 13º, subindo assim 8 posições. Mas, infelizmente no índice H, o Brasil permanece desde 1996 até 2013 em 22º, isso significa dizer que apesar de o número de publicações ter aumentado, a relevância ou qualidade dos artigos não melhorou, mostrando aí uma disparidade na evolução da ciência no país. Existe uma série de fatores que influenciam esse efeito, sendo o principal é a própria conduta política e cultural, o tal “fazer pra mostra serviço”. Ciência não é, nem nunca será, uma receita de bolo,todos do meio devem tomar consciência que: Sim, Publicar é preciso! Mas é necessário respeitar o tempo necessário para a construção de um bom trabalho e ter bom senso na avaliação dos resultados. Considerando ainda que o estímulo parcerias significativas podem gerar boas publicações, uma vez que com a existência de autores multidisciplinares, a interpretação dos dados obtidos na pesquisas terão explicações muito mais fundamentadas.

[1] http://www.scimagojr.com/countryrank.php

domingo, 11 de janeiro de 2015

“É um crime o currículo Lattes”, diz Marilena Chauí

Em um dos grupos de discussão do Linkedin (Educação Empreendedora) tive acesso a esse texto (abaixo) publicado pelo Sindicato dos Docentes da UECE, sobre o rumo que a universidade brasileira vem tomando, como prestadora de serviço, perdendo sua essência democrática sua característica de direito social de todos. Profª Marilena Chauí fala do currículo Lattes de forma interessante. O Lattes sempre foi algo estranho para mim, também, sobre o ponto de vista de avaliação e produtividade, pois a quantidade de publicações e a importância das revistas nas quais se publica (Qualis) não é uma forma válida (de fato) para avaliação de um acadêmico.

Das suas publicações, quais estão relacionadas com o tripé do ensino superior (Ensino, Pesquisa e Extensão)? Qual é a relevância da pesquisa para o social? Como há integração desse conhecimento ao ensino?

Leia o texto e deixe seu comentário!




Esquema de transição conduzido pela oligarquia resultou na escolha de um“tirano”, diz Ciro Correia ao abrir os trabalhos

A universidade brasileira submeteu-se à ideologia neoliberal da sociedade de mercado, ou “sociedade administrada” (Escola de Frankfurt), que transforma direitos sociais, inclusive educação, em serviços; concebe a universidade como prestadora de serviços; e confere à autonomia universitária o sentido de gerenciamento empresarial da instituição.

Em repetidas manifestações, o reitor da USP revela seu “lugar de fala”, sua afinação com esse ideário, ao recorrer ao vocabulário neoliberal utilizado para pensar o trabalho universitário, que inclui expressões como “qualidade universitária” (definida como competência e excelência e medida pela “produtividade”) e “avaliação universitária”. Foi o que sustentou a professora Marilena Chauí ao proferir sua Aula Magna sobre o tema “Contra a Universidade Operacional”, em 8/8, que lotou com centenas de pessoas o auditório da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP).

Nesse contexto, a USP, como suas congêneres, transformou-se numa “fábrica de produzir diplomas, teses”, tendo como parâmetros os critérios da produtividade: quantidade, tempo, custo. “Esse horror do currículo Lattes. É um crime o currículo Lattes! Porque ele não quer dizer nada. Eu me recuso a avaliar alguém pelo Lattes!”, disse Marilena. As frases fortes mereceram da plateia aplausos entusiasmados.

“Vejo as pessoas desesperadas porque perderam 7 ou ganharam 7 da Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior]. Não significa nada. ‘Quero ser 7 porque Porto Alegre é 7’. A gente incorporou a competição pelas organizações, pela eficácia”, destacou Marilena. Mais tarde, acrescentou: “Fuvest e Lattes são a prova da estupidez brasileira”.

“Tirano”


Antes da Aula Magna, o professor Ciro Correia, presidente da Adusp, fez um rápido discurso sobre a gravidade da crise em curso na USP. Ele chamou a atenção do auditório para “o ataque explícito da Reitoria e do governo estadual à concepção que sempre defendemos: de implantação e desenvolvimento de uma universidade democrática, pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada”.

Ciro disse que a administração da universidade “se sente à vontade para governar à revelia de qualquer preocupação com legitimar suas diretivas, ou sequer chancelá-las nas instâncias internas de deliberação, por mais inadequadas que sejam”, e criticou com dureza a oligarquia que controla a USP: “O processo que chegou a ser referido como ‘a rebelião dos diretores’, que conduziu ao esquema de transição nos marcos da reunião do Conselho Universitário de 1º de outubro de 2013, supostamente para nos salvar da perspectiva de continuidade da descontrolada gestão anterior, acabou por definir um amplo espectro de apoios para uma candidatura que, como todos podem constatar, nos outorgou antes um tirano do que um reitor”.

Por fim, o presidente da Adusp conclamou os presentes a se engajarem com determinação no movimento de greve, seja cobrando posições dos colegiados “quanto às ações ilegítimas e violentas da Reitoria, como no caso do inaceitável confisco dos salários decorrente dos cortes do ponto dos funcionários”, seja participando “da nossa caminhada do próximo dia 14 de agosto, no início da tarde, seguida de ato conjunto das universidades e do Centro Paula Souza diante do Palácio dos Bandeirantes”.

Fragmentação


Na sua exposição de uma hora, a professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) esmiuçou o processo por meio do qual a universidade pública brasileira vem sendo transformada e descaracterizada, desde os anos 1970, deixando de ser uma instituição social para tornar-se uma organização, isto é, “uma entidade isolada cujo sucesso e cuja eficácia se medem em termos da gestão de recursos e estratégias de desempenho e cuja articulação com as demais se dá por meio da competição”.

A “universidade operacional” corresponde à etapa atual desse processo, segundo Marilena. De acordo com ela, “a forma atual de capitalismo se caracteriza pela fragmentação de todas as esferas da vida social, partindo da fragmentação da produção, da dispersão espacial e temporal do trabalho, da destruição dos referenciais que balizavam a identidade de classe e as formas da luta de classes”. A passagem da universidade da condição de instituição social (pautada pela sociedade e por uma aspiração à universalidade) à de organização insere-se, diz Marilena, “nessa mudança geral da sociedade, sob os efeitos da nova forma do capital, e no Brasil ocorreu em três etapas sucessivas, também acompanhando as sucessivas mudanças do capital”.

Na primeira etapa (anos 1970, “milagre econômico”), a universidade tornou-se “funcional”, voltada para o mercado de trabalho, sendo “prêmio de consolação que a ditadura ofereceu à sua base de sustentação politico-ideológica, isto é, à classe média despojada de poder”; na segunda etapa (anos 1980), passou a ser “universidade de resultados”, com a introdução da ideia de parceria com as empresas privadas; a terceira etapa (anos 1990 aos dias de hoje), em que virou “universidade operacional”, marca o predomínio da forma organização, “regida por contratos de gestão, avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível”, estruturada por estratégias e programas de eficácia organizacional e “por normas e padrões inteiramente alheios ao conhecimento e à formação intelectual”.

A tecnocracia associada a esse modelo, explicou, “é aquela prática que julga ser possível dirigir a universidade segundo as mesmas normas e os mesmos critérios com que se administra uma montadora ou um supermercado”. De modo que se administra “USP, Volks, Walmart, Vale do Rio Doce, tudo da mesma maneira, porque tudo se equivale”.

Metamorfose


“A metamorfose da universidade pública em organização tem sido o escopo principal do governo do Estado de São Paulo”, denunciou Marilena. Ela argumentou que a reforma do Estado adotada pelo governo FCH (1995-2002) e efetivada pelos governos estaduais do PSDB, particularmente o de São Paulo, pautaram-se pela articulação com o ideario neoliberal (Estado mínimo, privatização dos direitos sociais) e, no caso do ensino superior, realizaram a agenda de mudanças preconizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a reestruturação das universidades da América Latina e Caribe, em 1996, e baseada na redução das dotações orçamentárias públicas às instituições de ensino superior.

“Penso que a expressão perfeita dos desígnios do governo do Estado e do BID se encontra na carta enviada pelo reitor da USP aos docentes em 21 de julho de 2014”, afirmou a professora. “Sei que se tem debatido a falsidade dos números apresentados por ele, a manipulação. A carta me interessa pelo vocabulário que ele usa. Ele começa a carta se referindo a nós como o custeio. Somos o custeio, não somos o esteio da Universidade. A partir daí já está tudo dito. Ele não começa pelas obras que foram feitas sem necessidade, pelo esparramamento da USP pela cidade. Não. Ele começa por nós”, enfatizou.

“O reitor não está usando essa linguagem porque caiu de paraquedas no mundo e equivocadamente fala nessa linguagem. Ele tem uma concepção de universidade, uma concepção política, uma concepção do conhecimento, uma concepção do saber. Minha fala vai na direção de localizar o que é que tornou possivel a um reitor da USP dizer as coisas que ele diz”.

Ao longo da leitura do texto que preparou para a ocasião, Marilena fugiu do roteiro para fazer comentários bem-humorados e sarcásticos que provocavam gargalhadas ou fortes aplausos do auditório. “O PSDB é o filho revoltado do MDB. Eles estão aí há 30 anos! Eu quero alternância de governo”, disse, ao comentar conversa que manteve com um grupo de jovens.

A Aula Magna foi coordenada pelo professor João Zanetic (IF) e pela professora Priscila Figueiredo (FFLCH), que mediaram intervenções e perguntas de participantes à professora Marilena Chauí.

Foto: Daniel Garcia
Fonte: ADUSP, Seção Sindical do ANDES-SN via SINDUECE

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Graduação: como cursar e me tornar um profissional diferenciado?

A graduação de ciências biológicas é um curso de grande amplitude de conhecimentos acerca do mundo vivo e do seu funcionamento e deve ser compreendido e explorado dessa forma, assim como vários outros cursos que possuem grande amplitude, em geral na modalidade bacharelado. Hoje também dispomos de cursos tecnológicos, de curta duração, visando uma entrada mais rápida e de forma mais especializada no marcado de trabalho, porém de atuação mais restrita.

Observo muitos estudantes recém-ingressos no ensino superior passando por um processo que chamo de “especialização precoce” onde muitos já vem focados para se aprofundar em uma determinada área do conhecimento. Isso é muito interessante, por um lado, pois você já começa a adquirir uma maior experiência naquela área, porém conhecer de maneira ampla todas as áreas específicas (disciplinas) do curso possibilita primeiro: um diálogo entre as competências aprendidas, tornando-o um profissional diferenciado; e segundo, possibilita atuar em áreas diferentes e ter um maior leque de opções para atuação no mercado de trabalho.

Um curso superior não é formado apenas de pagar disciplinas, fazer trabalhos, seminários e obter boas notas, produzir conhecimento é fundamental, desde o primeiro período, e para isso ter uma visão ampla do seu curso é estritamente necessária. Escrever artigos, participar de cursos de curta duração, projetos de extensão, iniciação científica, desenvolvimento de softwares e websites são algumas das atividades extraclasse que ajudam a formar profissionais diferenciados no mercado e ainda lhe dão alicerces importantes para quem for galgar uma pós-graduação.

Com essas ações você pode se tornar um profissional com habilidades, competências e conhecimentos diferenciados em meio a um mercado cada vez mais competitivo.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Terminei a graduação, e agora? Que venha a pós-graduação!

É uma pergunta ao mesmo tempo fácil e difícil de ser respondida. Depois de terminada a suada graduação há uma procura natural por uma colocação no mercado, há busca por um bom emprego. Quem já possui certa visão de mercado, geralmente busca fazer uma pós-graduação, ou especialização (lato sensu), mestrado ou doutorado (stricto senso), mas qual será a melhor opção e quando optar por elas?

A especialização é uma ótima pedida para quem já está trabalhando em uma dada área e quer se aprimorar, se diferenciar na empresa ou instituição que trabalha para galgar novos degraus na carreira, ou quem está pensando em mudar de área de atuação visando uma mudança nos parâmetros do mercado.

Muitas pessoas pensam que depois da especialização o próximo passo é fazer o mestrado. Não necessariamente muitos estudantes saem da graduação já pensando em fazer um mestrado, se você for aceito no programa de pós-graduação pode até fazer o doutorado dependendo da universidade escolhida.

Existem dois tipos de mestrado, o acadêmico e o profissional. O acadêmico, que é geralmente oferecido pelas universidades sem muito enfoque para o mercado e o profissional que visa uma melhor qualificação para o mercado de trabalho. Em qualquer um dos casos durante os processos seletivos a produção (artigos, cursos, extensão, projetos de pesquisa) e a experiência profissional contam pontos positivos para o candidato. Porém, não basta ter artigos publicados, trabalhos apresentados em congressos (muitas vezes realizados na graduação) se não tiver uma boa ideia de pesquisa para propor ao programa levando em considerações as linhas de pesquisa, até por que o objetivo do mestrado e doutorado é formar pesquisadores de determinada área do conhecimento, se produz conhecimento através da pesquisa realizada na universidade.

A pós-graduação é um passo importante para quem quer se manter preparado para as demandas de mercado seja ela lato ou stricto senso o importante é continuar estudando se aperfeiçoando para ser um profissional cada vez mais qualificado.

Ficou com alguma dúvida? ou quer se aprofundar um pouco mais no assunto? Eu recomendo o site Pós-Graduando quem traz notícias e informações importantes para os iniciantes e iniciados de forma simples e bem humorada.

domingo, 16 de setembro de 2012

Reflexão sobre o ensino médio e as repercussões no Ensino Superior


Minha amiga, Pedagoga Deise France me mandou um e-mail com uma matéria do Blog de Roberto Lobo que retrata a realidade precária do ensino médio em relação a construção de competências necessárias para que esses estudantes possam chegar ao ensino superior com um pensamento crítico e reflexivo, fundamentais para essa esfera da educação.

O objetivo do ensino médio parece que foi esquecido. É nesse nível de ensino que temos o desenvolvimento e a solidificação dos conceitos científicos e a introdução para um pensamento reflexivo, de fazer pensar... Nos últimos tempos temos a implantação da obrigatoriedade do ensino de filosofia que contribui de maneira ímpar para o alcance desse objetivo. 
Com a expansão do ensino superior das últimas décadas e a adoção do ENEM como forma de seleção para a maioria das universidades do país, me parece que esqueceram que as seleções (vestibulares) serviam para selecionar os estudantes que tinham ou não competências para ingressar em uma universidade, algo que o ENEM ainda não realiza com eficácia.

Segue o texto de Roberto Lobo...


O ensino médio e as repercussões no ensino superior

13/09/2012 - A má formação dos estudantes do ensino básico (fundamental e médio), que o Ideb só veio confirmar, tem repercussões extremamente negativas no ensino superior. O Brasil tem demonstrado péssimo desempenho em todos os testes internacionais e se situa próximo à 50.ª posição nos exames do Pisa (organizado pela OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que são aplicados a estudantes do ensino básico em aproximadamente 60 países.
As políticas de expansão das vagas no ensino universitário esbarram na falta de preparação de uma parcela grande dos egressos do ensino médio.
Com a exceção de algumas instituições de nível elevado, inclusive internacionalmente falando, e altamente seletivas, a maioria das instituições de ensino superior recebe estudantes mal preparados e, como diz o professor Vincent Tinto, da Universidade de Syracuse nos EUA e especialista nos estudos de evasão: “O grande problema dos estudantes que ingressam nas universidades americanas não é a falta de domínio dos conteúdos, mas a dificuldade de pensar por si mesmos.”
Por causa dessa má formação dos egressos do nosso ensino médio, a grande maioria das instituições de ensino superior cada vez mais se defronta com duas alternativas: ou recusam estudantes sem formação e ficam com muitas vagas ociosas e, se forem privadas, com dificuldades para se viabilizar financeiramente; ou são forçadas a baixar o nível de dificuldade de seus cursos e/ou a criar programas de nivelamento (que se tornam indispensáveis em razão do nível do ingressante). Tais programas, dependendo de sua intensidade e duração, podem atrasar o desenvolvimento curricular dos cursos e onerar a instituição, mas ao menos fazem com que as disciplinas dos primeiros anos possam ser minimamente acompanhadas por esses alunos.
O Brasil tem proposto vários projetos para ampliar o número de estudantes no ensino superior, com a abertura de vagas públicas e programas específicos de financiamento e de inclusão. No entanto, a quantidade de estudantes que se forma no ensino médio é a mesma dos ingressantes no ensino superior, o que demonstra que os grandes gargalos para a ampliação do ensino superior, como já se sabe há muito tempo, são: a formação precária dos estudantes do ensino médio, a grande evasão nesse nível de ensino e a limitação dos programas de financiamento e de bolsas aos estudantes (que tem impacto maior no setor privado, mas também afeta o setor público).
Pensar que é possível ter um ensino superior de Primeiro Mundo com um ensino básico de Terceiro é a mesma coisa do que começar treinar pessoas somente a partir dos 20 anos para que elas se tornem atletas olímpicos de sucesso. Sem uma formação ampla e de base nenhum país terá sucesso nas Olimpíadas. O mesmo se dá com a educação.