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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Especialista defende novos métodos para tratar esgotos


“Sem recursos é impossível fazer tratamento de esgoto, mas é preciso pensar como integrar a estrutura já existente a este tipo de limitação de investimento”. A afirmação é defendida pelo engenheiro civil alemão Matthias Worst, que atua há 16 anos na Secretaria de Recursos Hídricos da cidade de Holf, na Alemanha. O especialista esteve em Recife (PE), na semana passada, a convite do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco-PE), para trocar experiências com engenheiros e arquitetos sobre novas tecnologias aplicadas em projetos de esgotamento sanitário naquele país.

Segundo Worst, existe uma gama de tecnologias disponíveis para tratamento de esgoto, mas estes processos precisam ser adaptados à realidade local. “A solução para o problema precisa ser viável economicamente, e, para isso, deve-se utilizar a infra-estrutura existente”, explica. Como exemplo de solução aplicável no Brasil, ele menciona o processo de tratamento de esgoto biológico, adotado na Polônia e conhecido por Wetland: um mecanismo de biofiltração pelo qual a água desprezada (esgoto) é canalizada para um alagado com plantas aquáticas, que agem como filtros naturais.

Para Simone Souza, diretora de gestão ambiental do Sinaenco-PE, as áreas rurais do Nordeste têm condições ambientais favoráveis para a adoção desta tecnologia, tanto que algumas universidades brasileiras já estão pesquisando o processo para tratamento de esgoto doméstico. “Os estados do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco estão estudando o sistema sob parâmetro de dimensionamento diferenciados, já que nossas plantas são diferentes”, explica.

A Alemanha também estuda novas possibilidades na coleta de esgoto e reuso do material. Uma delas é o Projeto Ecosan, que busca a implantação de novas tecnologias para as instalações hidráulicas. Os sanitários estão sendo projetados para separar a parte líquida e sólida dos dejetos ainda na bacia, para só depois serem descartados. “A urina, livre de coliformes fecais, pode ser usada como fertilizante e as fezes, depois de tratadas por compostagem, viram biomassa para gerar biogás”, detalha Matthias Worst.

Ainda segundo ele, na Alemanha já existem 30 áreas residenciais utilizando o sistema. No Brasil, atualmente, o estado do Paraná possui uma área piloto.

A Alemanha é referência na questão ambiental, com destaque para a área de saneamento. Prova disto é que somente no Estado da Bavária, existem 3 mil estações de tratamento de esgoto (ETEs). Segundo Worst, todas com um processo de pós-tratamento biológico para o efluente – um contraste, quando comparado à situação local. Dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelam que, em Recife, 20% da área é saneada e, deste percentual, apenas 8% recebem algum tipo de tratamento.

Carência de recursos

Simone Souza explica que a Região Metropolitana de Recife só dispõe de três estações de tratamento de grande porte e nenhuma delas possibilita a efetiva redução da matéria orgânica. “Hoje, em torno de 30% da matéria orgânica é reduzida nessas estações, quando o ideal é reduzi-las em torno de 90%”, explica.

Segundo Simone, a legislação ambiental brasileira defende que o esgoto deva ser tratado, mas a falta de recursos impede uma política eficiente neste setor. “A mentalidade dos nossos governantes é equivocada. Se há pouca verba não se faz nada, quando se deveria iniciar o processo gradativamente e, aos poucos, ir melhorando o tratamento”, explica.

Esse gradualismo é defendido pelo engenheiro alemão, que afirma que o processo pode ser feito em etapas. “Partimos da construção de um sistema de coleta de esgoto e, depois, implanta-se um processo mecânico, onde há a separação dos dejetos líquidos e sólidos, reduzindo a carga poluente já em 30%”, justifica. (Fonte: Gazeta Mercantil)

Fonte: Ambiente Brasil

domingo, 19 de junho de 2011

Suécia e Recife discutem sustentabilidade urbana


A sustentabilidade do Recife começa pela locomoção urbana. Pode parecer um fundamento simples, mas é a grande premissa do Plano de Mobilidade do município, em fase de conclusão pelo Instituto Pelópidas Silveira. A realidade das cidades brasileiras não condiz com o sucesso das estratégias suecas, apresentado, ontem, no fórum SymbioCity, realizado no Senai-PE, e este seria o maior gargalo para avançar. Enquanto o país europeu comemora o resultado de suas políticas socioambientais, por aqui a conversa é outra e os desafios são bem maiores.

“Tivemos ascensões econômicas, mas não melhoramos tanto em qualidades de vida e socioambiental. Pensar em mobilidade em um país sem saúde e educação é um exercício meramente acadêmico. Nossa dimensão é continental e exige uma atenção maior em planejamento urbano”, afirmou o arquiteto do Instituto Pelópidas Silveira, Romero Pereira. No quesito transporte, o Brasil aumentou a oferta de crédito, mas os veículos transitam em uma malha saturada.
Pereira ainda elencou como problemas a falta de verde urbano, que seria resolvido com uma “política agressiva de arborização”, o tratamento de resíduos sólidos e o saneamento básico. Na Suécia, as estações de tratamento de água são usadas como usinas de biogás. No Recife, apenas 40% da cidade está saneada e a promessa da Prefeitura é de que o percentual chegue a 72% nos próximos dois anos - realidade não muito diferente do resto do País.
Para os brasileiros, a discussão começou agora. Já para os europeus, a implantação de políticas teve início na década de 1970, com a Conferência de Estocolmo, capital sueca, primeira reunião para tratar de meio ambiente e desenvolvimento. Não é a toa que os pensamentos são distintos. “A emissão de gás carbônico caiu 10%, mas tivemos um aumento de 50% no Produto Interno Bruto (PIB). Ou seja, é possível crescermos e diminuirmos a emissão de gases”, apontou o arquiteto chefe da Sweco, Ulf Ranhagen.

Fonte: http://www.folhape.com.br/index.php/caderno-economia/607770


Um dos grandes problemas que o Recife enfrenta hoje, em relação a saúde pública, meio ambiente e urbanização é o fato de a cidade ter apenas 40% de sua área saneada, ou seja , 60% não saneada contribui para a degradação ambiental (rios, lagos e outros corpos d’ água), problemas de saúde da população sobretudo dos mais pobres e consequentemente a piora da qualidade de vida dos recifences e o aumento dos com gastos públicos com a saúde.
Recentemente li algumas notícias e reivindicações em relação à privatização da COMPESA (esgoto) por parte do governo do estado de Pernambuco denunciado pelo sindicato dos urbanitários em carta aberta da população.

Leiam e averiguem essas informações que me parece ser importante.

Download - Carta aberta a população