quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Uma palavrinha sobre Defaunação : vamos falar de mamíferos?

Quando tratamos de alterações no ecossistema encontramos muitos termos para definir exatamente o assunto tratado. Por exemplo, quando falamos da supressão (retirada) da cobertura vegetal de um local, utilizamos a palavra Desmatamento que significa o ato ou efeito de desmatar, de tirar a mata. Seguindo a mesma lógica, para falar sobre a retirada ou extinção – mesmo que local! – de animais, utilizamos o termo Defaunação, uma vez que a Fauna engloba as espécies animais de determinada região.

Muitos estudos tem sido realizados de forma inédita, tendo a defaunação como foco principal e mostrando que a ausência de mamíferos, especificamente, pode ter muito mais impacto do que se imaginava!

Os mamíferos por muito tempo foram considerados espécies “Guarda-chuva” em projetos de conservação, ou seja, as carinhas bonitas pelas quais as pessoas se apaixonam e resolvem de alguma forma ajudar os projetos que carregam suas imagens como emblema. Mas diferente do que se pensava, grandes mamíferos como primatas, ungulados e grandes roedores podem sim ter papéis extremamente importantes na dinâmica de florestas, além de funções ecológicas muito bem definidas. Grandes primatas são responsáveis por dispersar sementes de várias espécies vegetais, pois o longo do dia cobrem uma área de floresta extensa, caminhando com o grupo e se alimentando em locais diferentes. Isso influencia, por exemplo, no nascimento e sucesso de crescimento das Plântulas, indivíduos jovens da vegetação.

E não é só a vegetação que pode sofrer com a extinção local de mamíferos! Algumas espécies de insetos, como os besouros coprófagos (nossos conhecidíssimos “rola-bosta”), dependem diretamente da presença de fezes de mamíferos para utilizá-las como ninho e alimento.

E aí, já sabiam o que era Defaunação? O que acharam do termo?

 Qualquer dúvida, me escrevam! kk.piccinini@gmail.com

Até a próxima!

Colaboradora do Planctônico

domingo, 25 de agosto de 2013

Pensamento...

"Uma filosofia da ciência que não consegue lidar com o pluralismo não serve para a biologia"

Ernst Mayr

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Produção de biocombustível cria, por acaso, óleo comestível feito de algas

Em busca do biocombustível, a companhia norte-americana Solazyme acabou desenvolvendo óleo e farinha de alga que farão sucesso na cozinha vegana

No intento inicial de produzir biocombustível, a companhia Solazyme acabou desenvolvendo, por meio da biotecnologia, outros tipos de óleos que servem de matéria-prima para diversos produtos. A companhia continua investindo no desenvolvimento de seu objetivo final, o biocombustível, mas descobriu, por exemplo, uma forma de produzir um delicioso brioche vegano sem glúten, no qual a manteiga e o ovo são substituídos pelo óleo de alga.

Em 2003, dois colegas de faculdade decidiram que "salvariam o mundo" a partir de uma ideia inovadora, e assim criaram a companhia Solazyme. De início, ela visava cultivar alga para produção de hidrogênio como combustível, mas verificou-se que a produção de óleo seria muito mais eficiente.

Como funciona?

De acordo com relato para a revista Scientific American, os idealizadores perceberam que as algas produzem óleo de maneira muito semelhante ao modo como a gordura é feita pelo corpo humano. A partir dessa ideia, a companhia desenvolveu uma forma de cultivo dessas algas, o que traria eficácia na produção do óleo. São utilizadas microalgas do tipo heterotrófico, isso é, que possuem a capacidade de se desenvolverem na ausência de luz, e, pelo processo de fermentação do açúcar, produzem o óleo. Para o aumento da produção, são inseridos genes de outras plantas nas algas, que diversificam sua alimentação e fazem com que elas cresçam mais rápido.

Apesar da inserção de genes de outros organismos, o óleo produzido não é considerado como Organismo Geneticamente Modificado (OGM). Segundo um dos cofundadores da empresa, Harrison Dillon, o óleo não se qualifica nessa categoria, pois os genes modificados ou proteínas não compõem o produto final.

Alga para tudo

A companhia tem feito testes regulares em carros a partir de biodiesel de alga, além de já ter fornecido o combustível para a marinha dos Estados Unidos em 2012. Em 2011, foram feitos testes até com aviões em um acordo envolvendo a United Airlines. O objetivo final do projeto seria o de acabar com os combustíveis a base de petróleo, no entanto, devido à demanda de quantidade, eles não estão aptos a competir no mercado atualmente.

A Solazyme tem parcerias também com as empresas de cosméticos Mitsui e Akzo Nobel. Isso porque foi notado que algumas células que desenvolviam uma forma de proteção, produziam ácidos gordurosos semelhantes aos ácidos usados em cosméticos contra o envelhecimento.

O óleo de alga pode substituir até o óleo de palma, que é encontrado em diversos produtos, desde alimentos industrializados, como cookies e outras comidas gordurosas, até sabonetes e biodiesel. O grande problema da produção do óleo de palma é a devastação de florestas. Na Indonésia, em partes da Ásia, África, América Central e América do sul, ocorreram intensos desmatamentos para ceder espaço para a plantação da palmeira.

Solazyme no Brasil

Um dos problemas enfrentados pela companhia foi o alto custo do açúcar para alimentar e desenvolver as algas no escuro. A companhia fez uma parceria com a grande empresa de alimentos Bunge para poder se instalar ao lado de uma indústria de processamento de cana de açúcar, na cidade de Orindiuva, no estado de São Paulo. Desse modo, teve acesso ao açúcar a baixo custo. Ela ainda estabeleceu acordo com a empresa Unilever.

O óleo de alga tem um futuro promissor.

Fonte: eCycle

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Palestra: A noção de continuidade na produção de conhecimento: por uma epistemologia do limite


O Núcleo de Pesquisa, Estudo e Extensão em Transdisciplinaridade (NUPET) organiza a Palestra do Prof. Dr. IRAN ABREU MENDES (Currículo Lattes), um dos ícones da Educação Matemática no Brasil, que acontecerá no dia 26 de agosto, na sala de seminário do CEGOE, 2 º andar, as 10h 30, sob a coordenação do Prof. Dr Romildo Albuquerque Nogueira.

domingo, 18 de agosto de 2013

Timbú

O Timbú pode chegar a 70cm, tem uma uma cabeça volumosa, focinho comprido e pontiagudo,e bigodes longos; as orelhas são grandes,nuas e membranosas. a cauda é comprida e preênsil,coberta de pele grossa e nua,a exceção da base que é peluda. Sob a cauda possuem glândulas que produzem uma substância de cheiro característico. É um animal terrestre,mas capaz de subir em árvores,nas quais procura os ocos para fazer seus ninhos. Têm hábitos noturnos e solitários. É classificado como uma espécie frugívora-onivora quanto a dieta se alimentando desde pequenos vertebrados,frutos,ovos e aves chegando a atacar aves de criação. Apresentam uma bolsa(marsúpio) circundando as tetas no abdome. São agressivos quando incomodados e,para enfrentar os inimigos mostram os dentes e exalam um cheiro desagradável. Algumas vezes fingem-se de mortos para se defender. 

O Gambá-de-orelha-branca como também é conhecido, é predominante no país inteiro, do norte ao sul. Consegue sobreviver em diferentes ecossistemas, encontramos essa espécie tanto no cerrado, como na caatinga, como nos banhados ou no pantanal, também é adaptável a vida urbana. Esta espécie é mais conhecida como timbu ou cassaco, em alguns locais também é conhecido como mucura, sarigué, sariguê, saruê, sarigueia e micurê. Não diferente dos outros tipos de gambá, esta espécie também emite o líquido fétido das glândulas de auxílio, porém só faz esse uso caso sinta-se em perigo, exato, este sistema serve como defesa, porém também é utilizado no período do “cio”, para conseguir chamar atenção do macho. Existem duas subespécies desta espécie, a Didelphis imperfecta e a Didelphis pernigra, mais encontradas na Guiana e nos Andes. Este animal possui uma bolsa no ventre onde ficam as mamas e lá seus filhotes vivem boa parte de seu desenvolvimento primário. Na zona urbana não são encontradas muitas espécies, pois são quase sempre atropelados porque tem a visão totalmente ofuscada pela luz dos carros e também pelo fato que não conseguem se locomover com velocidade. Esses animais possuem um tamanho de aproximadamente de quarenta a cinquenta centímetros de largura, não contanto, é claro, com a cauda que chega a medir até quarenta centímetros também. Seu corpo é semelhante a um rato, possui patas pequenas, curtas e com cinco dedos. Esses animais podem se reproduzir aproximadamente quatro vezes ao ano, nascem aproximadamente dez a trinta filhotes por gestação. O tempo de gestação é curto, dura cerca de duas semanas. Nascem ainda embriões muito pequenos (mais ou menos um centímetro e duas gramas) e vão para o marsúpio na bolsa localizada no ventre da mãe, lá vivem cerca de cinco meses e mesmo depois de “prontos” são transportados neste local por sua mãe. A fêmea possui de dez a quatorze mamas para alimentar seus filhotes. É justamente devido à presença do marsúpio que os gambás receberam este nome. A origem da palavra é da língua tupi-guarani, onde “gã´bá” ou “guaambá” significa seio oco ou ventre aberto, referindo-se ao marsúpio onde os filhotes ficam até tornarem-se capazes de sobreviver longe dos cuidados da mãe. Os didelfídeos (do latim Di = duplo e Delphos = ventre), como o próprio nome indica, possuem uma gestação dividida em duas fases, onde uma etapa ocorre no útero do animal, seguida pela fase final que transcorre no marsúpio.

CLASSIFICAÇÃO CIENTÍFICA:
REINO: Animalia
FILO: Chordata
SUBFILO: Vertebrata
SUPERCLASSE:Tetrapoda
CLASSE: Mammalia
SUBCLASSE: Theria
INFRACLASSE: Metatheria
ORDEM: Marsupialia
FAMÍLIA: Didelphidae
GÊNERO: Didelphis
ESPÉCIE: Didelphis albiventer Linnaeus,1758


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Comportamento viral

Qual a diferença entre um vírus inativo e um atenuado? E entre vacinas feitas com um e com outro? O pesquisador Akira Homma, do Instituto Bio-Manguinhos/Fiocruz, responde.

Por: Akira Homma


Os vírus, causadores de uma série de doenças, são usados de diferentes maneiras em vacinas contras as mesmas patogenias que provocam. (foto: Andrzej Pobiedziński/ Sxc.hu)

Vírus inativo é o vírus que não é mais capaz de se multiplicar; já o atenuado é um vírus que ainda pode se replicar, mas tem sua propriedade de causar doença (patogenia) drasticamente diminuída. A inativação do vírus pode ser obtida por procedimentos diversos, sendo comumente utilizados os processos químicos ou físicos e, com mais frequência, a combinação de ambos. Um exemplo de vacina viral inativada é a vacina Salk (injetável) contra a poliomielite.

Já a atenuação das propriedades de patogenia de um vírus pode ser realizada por meio de centenas de passagens do vírus em animais de laboratório ou em sistemas in vitro. Exemplos de vacinas de vírus atenuados são as da febre amarela, do sarampo, da caxumba e da rubéola. Também existe uma vacina oral (a Sabin) de vírus atenuado para a poliomielite.

Tomando as vacinas contra a poliomielite como exemplo, podemos listar as vantagens e desvantagens de cada tipo. A vacina de vírus atenuado conhecida como Sabin leva à proteção coletiva desde que mais de 80% da população suscetível seja imunizada, pois as crianças excretam o vírus no ambiente, onde ele pode infectar outras crianças, conferindo também a estas imunidade à poliomielite.

Sua aplicação é oral, o que facilita a vacinação. Porém, como os vírus não estão inativos, há chance – ainda que muito baixa, cerca de uma para cada 4,4 milhões a 6,7 milhões de doses administradas – de as crianças que recebem a vacina contraírem poliomielite. As sucessivas passagens em outras crianças podem levar também à mutação do vírus, recuperando sua patogenia e podendo causar a doença em crianças não protegidas.

A inativada, também chamada de vacina Salk, não permite que o indivíduo vacinado venha a desenvolver a doença, pois os vírus usados perderam sua capacidade de replicação. Ela também confere uma boa proteção imunológica individual, desde que se cumpra o calendário vacinal. Contudo, é injetável, o que dificulta a vacinação, não gera proteção de grupo e, para se obter uma proteção coletiva, é necessário vacinar 100% da população suscetível (sem anticorpos). Além disso, a vacina é muito mais cara que a de vírus atenuado.


Akira Homma
Instituto Bio-Manguinhos
Fundação Oswaldo Cruz

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Informação, conhecimento ou sabedoria‏?

Qual a diferença entre esses três?
Recebemos informação todos os dias das maneiras mais diversas, mas o que fazemos com ela? A aplicação dessa informação em algo útil na nossa vida, é o que podemos chamar de conhecimento. Porém, esse conhecimento pode causar mudança na vida das pessoas? Terá uma conduta ética? Trará benefícios aos outros ao seu redor? Se sim, isso é sabedoria: utilizar o conhecimento para o benefício de todos.

Taxonomia no século XXI

Quando trabalhamos os conhecimentos acerca da taxonomia seja na escola ou na universidade geralmente se remete a uma ideia de ciência antiga, onde cientistas, botânicos, naturalistas e zoólogos já haviam descritos a grande maioria das espécies do mundo, principalmente se tratando da realidade global de degradação de ambientes naturais e consequentemente a extinção de espécies.


Porém venho observando que a taxonomia assim como tantas outras ciências naturais (principalmente as biológicas) está produzindo a todo vapor, com a descoberta de novas espécies seja de algas, plantas, animais, fungos ou bactérias em pleno século XXI.

Um dos maiores divulgadores dessas descobertas atualmente na internet é a página no Facebook, parceira do planctônico, Nomes Científicos no Face que volta e meia tem trazido alguma nova espécie recém descoberta.

 Temos algumas espécies divulgadas recentemente pela Fan Page.


terça-feira, 13 de agosto de 2013

A conservação do meio ambiente

A conservação e manutenção de ambientes vivos tem sido amplamente discutida em todos os setores da economia e fóruns que influenciam diretamente o dia-a-dia da sociedade. Mas o que seria, em termos científicos a conservação do meio ambiente?

Em termos biológicos sabemos que organismos vivos fazem parte de uma extensa rede de interações entre o meio biótico e abiótico, sendo protagonistas ou coadjuvantes, a depender da abordagem de quem observa. 

E por que exatamente CONSERVAR?

Cada espécie é peça-chave no estudo da evolução e salvo desastres naturais ou interferência antrópica, tendem a manter uma dinâmica de equilíbrio com o ambiente em que vivem. No entanto, quando uma pressão negativa excede a capacidade regenerativa desse equilíbrio a diminuição do numero de indivíduos pode ser irreversível, levando à tão temida EXTINÇÃO. 

E por que a Extinção é uma coisa ruim?

Como já sabemos, cada ser vivo exerce um papel específico na dinâmica do meio ambiente. E na natureza, uma substituição de cargo não é uma coisa tão fácil de se realizar como nas atividades humanas em geral! Cada papel desempenhado ali tomou milhões de anos de evolução para ser aprimorado. Assim, quando uma “tarefa” é deixada em aberto, outros organismos sofrem consequências, podendo ter um aumento muito bruto ou diminuição drástica de indivíduos na natureza.

E existem outros tipos de desequilíbrio?

Existem diversas consequências sentidas pela biosfera com a alteração dos biomas, a maioria delas causadas por atividade humana. Um exemplo muito atual são os ataques de tubarões na costa do nordeste brasileiro. A pesca em larga escala retira toneladas de peixes do mar que serviriam de alimento para outros seres vivos, entre eles os tubarões. A falta de alimento no seu habitat de origem literalmente os leva a uma caçada em águas desconhecidas e alguns encontros fatais com banhistas. Esse é um exemplo sentido diretamente pela população humana, mostrando que existe algo errado na conservação do ambiente marinho.

Percebemos então o quão refinada e complexa é a dinâmica da natureza. Todas as espécies são importantes, desde as bactérias, responsáveis pela ciclagem de nutrientes até os grandes mamíferos que circulam pela terra, passando por insetos e aves polinizadores, entre outros “trabalhadores” do meio ambiente. Não podemos prever exatamente qual será o efeito causado pela extinção das espécies... mas na dúvida, vamos conservar!


Colaboradora do Planctônico